Rio Innovation Week: Malala fala sobre sonhos, defende tecnologia na educação em áreas remotas e teme avanço do Talibã

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
A ativista paquistanesa Malala Yousafzai e a jornalista Lilian Ribeiro na Rio Innovation Week Cristina Boeckel/ g1 A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2014, afirmou que a tecnologia pode ser uma importante aliada na democratização da educação, permitindo que o ensino alcance regiões remotas e meninas que vivem em locais onde a educação feminina ainda é proibida. Ela manifestou temor com o avanço do Talibã sobre os direitos das mulheres no Afeganistão. Malala participou nesta terça-feira (4) da 6ª edição da Rio Innovation Week, realizada no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Durante o evento, ela concedeu uma entrevista à jornalista Lilian Ribeiro, da TV Globo. “Nosso sistema educacional não responde com a rapidez necessária às mudanças climáticas, tecnológicas e sociais que observamos atualmente. Essa é uma questão presente em diversos países, seja no Paquistão, no Brasil ou no Reino Unido. A tecnologia nos oferece ferramentas para alcançar comunidades muito distantes, permitindo que a educação chegue mais longe e se torne mais acessível”, afirmou. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Começa nesta terça a 6ª edição do Rio Innovation Week A ativista destacou que cerca de 120 milhões de meninas e adolescentes em todo o mundo ainda não têm acesso à educação. Segundo ela, a tecnologia pode ser um caminho para ajudá-las a enfrentar as restrições que impedem seu desenvolvimento. Malala também manifestou preocupação com a proibição da educação feminina no Afeganistão. Criadora do Fundo Malala, organização sem fins lucrativos dedicada à promoção da educação de qualidade para meninas, a ativista informou que a instituição apoia cerca de 140 grupos ao redor do mundo. Segundo ela, o trabalho da organização contribui para levar ensino a regiões onde estudar pode representar um ato de resistência. “Meninas do Afeganistão me dizem que ler um livro é um ato de resistência”, relatou. LEIA MAIS: Rio Innovation Week: de Nobel da Paz a artistas, evento no Píer Mauá espera atrair 180 mil pessoas Foguete, arte e tecnologia: Rio Innovation Week aposta em experiências imersivas para aproximar público do futuro Olhar para o passado A própria Malala foi vítima do Talibã. Aos 15 anos, ela sofreu um atentado por defender o direito das meninas à educação na região do Vale do Swat, no Paquistão. O ataque ocorreu em 9 de outubro de 2012. Malala retornava para casa em um ônibus escolar quando dois homens armados entraram no veículo, perguntaram por ela e dispararam. Além da ativista, outras duas estudantes também ficaram feridas, mas todas sobreviveram. O trabalho de Malala em defesa da educação lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 2014. Aos 17 anos, ela se tornou a pessoa mais jovem da história a receber a honraria. Atualmente, tem 29 anos. Após passar por um longo tratamento médico, Malala mudou-se para o Reino Unido para escapar da perseguição do Talibã. Em junho de 2020, formou-se em Filosofia, Política e Economia pela Universidade de Oxford. Esta não é a primeira visita da ativista ao Brasil nem ao Rio de Janeiro. Hoje, ela percorre diferentes países para conscientizar a população sobre a importância da educação. VEJA TAMBÉM: O horror das mulheres afegãs sob o Talibã - O Assunto Talibã proíbe universidades de usarem livros escritos por mulheres Talibã proíbe mulheres de falar em público e mostrar o rosto no Afeganistão Barreiras e transformação Malala e Lilian Ribeiro na Rio Innovation Week Cristina Boeckel/ g1 Durante a entrevista, Malala ressaltou o papel fundamental do pai, professor e diretor de escola, em sua trajetória. “Quando encontro meninas ao redor do mundo, vejo a mim mesma nelas. Eu adorava estar em sala de aula. Meu pai era professor e diretor da escola. Quando o Talibã proibiu a educação, um mundo inteiro se fechou para mim. A educação me deu liberdade. Eles sabem que ela é a base da consciência e da emancipação das mulheres”, afirmou. A ativista destacou que busca usar a visibilidade conquistada para ajudar jovens que enfrentam desafios semelhantes aos que viveu. “Gostaria de dizer que a minha história e a do meu pai não são únicas. Existem meninas promovendo mudanças em suas comunidades que não recebem o apoio necessário. Quero que todos saibam que elas têm potencial, assim como eu tive um dia”, declarou. Malala também falou sobre o impacto do reconhecimento internacional em sua vida e sobre as dúvidas que enfrentou ao longo da caminhada. “Parte do meu processo de aprendizado e crescimento foi manter a mente aberta. Quando temos 16 ou 17 anos, acreditamos que temos todas as respostas. Eu pensava que poderia mudar o mundo sozinha. As pessoas me concediam prêmios, inclusive o Nobel, e eu me perguntava: será minha culpa que tantas meninas ainda estejam fora da escola? Depois percebi que uma pessoa pode iniciar um movimento de mudança, mas é o coletivo que transforma o mundo”, refletiu. Ao encerrar sua participação, Malala fez um apelo para que a busca por um mundo melhor caminhe lado a lado com o cuidado da saúde mental e a capacidade de sonhar. “Sonhe grande. Nunca sonhe de forma modesta; sonhe tão alto que seus objetivos pareçam impossíveis. E tente. Pense no que você pode fazer hoje e amanhã. Pode ser um pequeno passo, mas ele representa o início de uma transformação. Juntos, somos mais eficazes do que quando agimos isoladamente”, concluiu. Globo no RIW A Globo também participa da programação do Rio Innovation Week com mais de 20 painéis distribuídos ao longo dos quatro dias de evento. "A Globo poder dividir todo esse conhecimento e toda essa inivaçao com todo mundo que está aqui e com o público final, pode ter um momento de experimentar, de olhar, de sentir o cheiro, de entender a temperatura da inovação no Rio de Janeiro e Bo brasil é muito importante pra gente", disse o diretor de Marca e Comunicação da Globo, Manuel Falcão. A expectativa da organização é receber cerca de 200 mil pessoas durante os quatro dias do Rio Innovation Week. Para os organizadores, um dos diferenciais do evento é reunir áreas muito distintas em um mesmo espaço, promovendo conexões entre setores que normalmente não dialogam. "Quando reunimos setores tão heterogêneos quanto o agronegócio, a robótica, os e-games e o futuro do trabalho, conseguimos conectar pessoas e áreas diferentes. Assim, a tecnologia pode trabalhar a serviço da sociedade", afirmou o diretor-geral do evento, Jerônimo Vargas. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/08/04/malala-na-rio-innovation-week.ghtml


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