‘O RJ chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura’, diz juiz de ação contra autarquia
09/07/2026
(Foto: Reprodução) ‘O RJ chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura’, diz juiz
Na decisão em que expediu os mandados da Operação Ouroboros, deflagrada nesta quinta-feira (9) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, escreveu ser essencial que “todas as instituições se alinhem” para “dedetizar e sanitizar o Estado do Rio de Janeiro”.
“O que se vê é um cenário de total aparelhamento espúrio do estado, sangria das verbas públicas, apadrinhamentos e toda sorte de ações que levaram o mesmo à bancarrota”, declarou.
“É dizer que o Estado do Rio de Janeiro chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura.”
A Operação Ouroboros mirou um esquema de corrupção no Instituto Rio Metrópole (IRM), um órgão do governo do estado. O MPRJ passou a investigar a autarquia após uma auditoria determinada pela gestão do governador em exercício Ricardo Couto.
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Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do IRM
Reprodução/TV Globo
A mando de Rubioli, o MPRJ prendeu 6 pessoas nesta quinta:
Amanda Íthala Santos da Paschoa: nora de Maurício Knoploch e gestora de contratos do IRM, depois da saída de Caroline;
Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”: ex-fiscal do IRM e fundadora do Instituto Bio, empresa subcontratada da autarquia;
Davi Perini Vermelho, o Didê: presidente do IRM;
Franquis Dias Nepomuceno: delegado e diretor do IRM, apontado como dono da empresa de vigilância Rioforte;
Marcelo Lopes da Silva: procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM;
Mauricio Silva Knoploch dos Santos: pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) e diretor de Planejamento e Projetos do IRM.
Além deles, também foram denunciados, mas não tiveram a prisão decretada:
Gerson Luís de Araújo Rodrigues: representante da Engeconsult;
Hélio Augusto Machado Pessôa: representante da Engeconsult;
Leilson de Souza Nepomuceno: pai de Franquis e dono da Rioforte;
Roberto Accioly Peotta: representante da R Peotta;
Roberto Peotta: representante da R Peotta.
Rubioli aceitou a denúncia do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf/MPRJ) e tornou réus todos os 11.
O que diz a denúncia
De acordo com o Gaesf, em licitações fraudulentas e direcionadas a partir de 2022, o Instituto Rio Metrópole contratou a Engeconsult Consultores Técnicos e a R Peotta Engenharia e Consultoria.
Em seguida, a Engeconsult e a R Peotta celebraram subcontratos fictícios com a Brazilian Institute of Organic — Instituto Bio. A fundadora dessa empresa terceirizada é Caroline Soares Barros, que até 2022 era fiscal de contratos do IRM.
Segundo o MPRJ, parte dos R$ 86 milhões foi sacada das contas do Instituto Bio e distribuída aos investigados.
Um desses saques foi no dia 9 de janeiro, em Teresópolis, na Região Serrana do RJ. A denúncia diz que Caroline tentou sacar R$ 500 mil em espécie, escoltada por funcionários da Rioforte, mas acabou surpreendida por agentes da 110ª DP (Teresópolis).
Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”
Reprodução/TV Globo
Alerta durante férias
O promotor do Gaesf, Décio Alonso, afirmou que as irregularidades começaram a ser notadas quando um dos denunciados, o ex-procurador-geral do RJ Marcelo Lopes da Silva, saiu de férias.
Lopes era procurador do IRM, e sua substituta estranhou um parecer assinado por ele sobre a terceirização do Instituto Bio. Segundo a investigação do MPRJ, não foi possível identificar o objeto desse contrato.
“Lopes foi substituído por uma outra servidora, que, analisando corretamente o comportamento tanto da autarquia quanto das pessoas contratadas, apontou a irregularidade do parecer”, disse o promotor.
No entanto, o alerta da substituta de Lopes foi ignorado depois.
“Esse parecer foi ignorado completamente. Não há referência anterior a ele, não há desdizer, não há contradição, não há nada, e simplesmente foi substituído por um outro que dava valia, dava autorização àquilo que a autarquia pretendia fazer”, descreveu o coordenador do Gaesf.
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