Mulheres são só 22% da força de trabalho na indústria do RJ, aponta Firjan
20/04/2026
(Foto: Reprodução) Mulheres são só 22% da força de trabalho na indústria do RJ, aponta Firjan
TV Integração/Reprodução
As mulheres representam apenas 22,3% da força de trabalho na indústria do estado do Rio de Janeiro, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. O estudo mostra que, além de serem minoria no setor, elas também enfrentam maior dificuldade para ocupar cargos operacionais e posições de liderança.
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De acordo com os dados, cerca de 188 mil mulheres estavam empregadas na indústria fluminense no último ano. Nas funções operacionais, a presença feminina é ainda menor: 14,3%. Já nos cargos de chefia, como diretorias e gerências, elas representam 29,5%.
Tema: Mercado de Trabalho - entrevista do Dia da Mulher
Em uma fábrica do setor de energia, na Região Metropolitana, a rotina ainda reflete essa desigualdade. Operadora de máquinas, Antônia Evani Rocha, de 39 anos, relata os desafios de trabalhar em um ambiente majoritariamente masculino.
“No início foi difícil porque majoritariamente a empresa é de homem. Você tem aquele receio: 'será que eu vou ser aceita, vão achar que eu sou capaz'. E eu sempre gostei de operar, eu sempre gostei do desafio”, contou.
Ao lado dela, Sandra Santos Nascimento, de 49 anos, também precisou superar obstáculos para retornar ao setor após perder o emprego na indústria naval.
“Eu tive que entrar no contexto da fabricação, desse tipo de fabricação que fazemos aqui hoje porque é um pouco diferente da área naval. Eu posso fazer valer tudo aquilo que eu aprendi, então eu fiz um curso específico pra estar trabalhando aqui”, explicou.
Barreiras estruturais
Histórias como as delas reforçam um dos pontos destacados pela pesquisa, a importância da capacitação técnica para ampliar a presença feminina na indústria.
Segundo a Firjan, ainda há barreiras estruturais importantes, como a cultura organizacional das empresas, a falta de atividade feminina, além de casos de preconceito e discriminação.
O levantamento também aponta problemas práticos, como a ausência de uniformes e equipamentos de proteção adaptados ao corpo feminino.
Firjan
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Para a presidente do Conselho de Mulheres da Firjan, Carla Pinheiro, é necessário avançar na inclusão e valorização da liderança feminina.
“A gente entende que ainda existe um corporativismo masculino que precisa ser desconstruído, que a gente entende, como eu gosto de dizer, que é pela falta de entendimento da característica dessa liderança feminina, que é bem diferente da masculina".
"São complementares e trazem resultados muito positivos para as empresas que adotam esse olhar mais diverso na sua composição, principalmente nas posições de liderança”, argumentou Carla.
Apesar dos desafios, o estudo também aponta avanços. Sete em cada dez empresas industriais afirmam adotar ações para promover a equidade de gênero.
Entre as principais iniciativas estão a flexibilização da jornada de trabalho, como horários alternativos e home office (51%), e políticas de diversidade no recrutamento (47%).
Entre as trabalhadoras, a avaliação é de que a presença feminina tende a crescer, mesmo diante das dificuldades.
“Qualquer um é capaz. Você não tem que ficar focada nos obstáculos. Obstáculo vai ter sempre, muitos obstáculos, muita pedra no caminho. Colher cada pedra e construir o nosso castelo”, disse.
“Nós mulheres podemos fazer o que eles fazem. (...) Tudo com técnica é possível executar tão bem como eles fazem.”
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