Menos de 24 h após ré por racismo voltar à Argentina, pai é filmado imitando macaco
03/04/2026
(Foto: Reprodução) Pai de mulher presa por racismo no Rio imita macaco horas após ela voltar à Argentina
Menos de 24 horas depois da chegada da influenciadora e advogada argentina Agostina Páez à província de Santiago del Estero, uma nova polêmica envolvendo a família ganhou repercussão local.
O pai dela, o empresário Mariano Páez, foi filmado durante a madrugada em um bar do centro da cidade fazendo gestos semelhantes aos de um macaco e dizendo que sente “asco pelo Estado” (veja acima).
As imagens foram divulgadas por um site local e mostram o empresário em uma saída noturna acompanhado da companheira. Em determinado momento, ele grita e imita um macaco — o mesmo gesto que levou a filha a ser acusada de injúria racial no Brasil, após um episódio ocorrido em um bar no Rio de Janeiro.
Além desse vídeo, também circulou outra gravação em que o empresário afirma que foi ele quem pagou a fiança de US$ 18 mil para que a filha responda ao processo em liberdade e que não recebeu dinheiro público.
Na gravação, ele diz: “Eu tenho asco do Estado. Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E narco…”, afirma, cercado por outras pessoas.
Agostina Páez passou a responder por injúria racial na Justiça brasileira após a divulgação de um vídeo, em janeiro, em que aparece fazendo gestos associados a um macaco em direção a funcionários de um bar em Ipanema.
Ela foi detida à época e permaneceu por mais de dois meses no país, sob monitoramento com tornozeleira eletrônica (veja mais detalhes abaixo).
Polícia investiga advogada argentina por ofensas racistas em Ipanema
Segundo o jornal La Nación, o pai afirmou que as gravações foram feitas com uso de inteligência artificial. O g1 submeteu o vídeo a ferramentas, que analisaram como entre 0% e 2% a chance de ter IA na geração das imagens.
A própria filha Agostina demonstrou abatimento com a repercussão do vídeo. A jovem advogada publicou um posicionamento nas redes sociais em que se desvincula das atitudes do pai.
“O que se vê é lamentável e eu repudio completamente. Eu me responsabilizo pelo que fiz: reconheci meus erros, pedi desculpas e enfrentei as consequências. Mas só posso responder pelos meus próprios atos”, afirmou.
Ela acrescentou que não tem relação com o conteúdo que circula. “Não tenho absolutamente nada a ver com isso. Eu estava em casa, acompanhada de amigos que estiveram ao meu lado durante todo esse tempo”, escreveu.
Em seguida, disse que o pai esteve presente durante o período difícil que enfrentou, mas ressaltou que não pode ser responsabilizada pelas atitudes dele.
Agostina posta esclarecimento após vídeo do pai
Reprodução/Redes sociais
Sem tornozeleira
A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que Agostina Páez, ré por injúria racial, retirou a tornozeleira eletrônica na terça-feira (31), após receber permissão da Justiça.
Ela retornou para seu país nesta quarta (1º) e falou com jornalistas no aeroporto em Buenos Aires.
A advogada também se encontrou com a senadora Patrícia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei, uma das representantes da direita do país. O encontro foi registrado com uma selfie postada pela senadora em uma rede social (veja abaixo).
Agostina Páez posou para selfie com a senadora Patricia Bullrich na volta à Argentina
Reprodução/X
Agostina definiu o que passou no Brasil como um "calvário", mas se disse arrependida por sua "reação", no episódio de gestos e palavras racistas contra funcionário de um bar na Zona Sul do Rio. "Apesar do contexto, me arrependo de ter reagido desta maneira, mas agora estou aqui".
Ela afirmou que não é racista. "Há uma lei no Brasil que é muito severa", disse aos jornalistas. "Nunca contaram a minha parte da história e sou inimiga pública no Brasil", disse. Ela aconselhou os viajantes que conheçam os contextos das leis no Brasil.
A advogada foi autorizada a voltar para a Argentina após a defesa obter um habeas corpus e o pagamento do valor de fiança estabelecido pela Justiça do Rio de Janeiro. Ela vai responder ao processo em liberdade, a partir do país de origem.
Pai de influenciadora ré por racismo no Rio é filmado imitando macaco
Reprodução
Fiança de R$ 97 mil
Uma decisão da Oitava Câmara do Tribunal de Justiça determinou nesta segunda-feira (30) o cumprimento de condições, entre elas o pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos - aproximadamente R$ 97 mil, para Agostina deixar o Brasil.
A liminar foi expedida pelo desembargador Luciano Silva Barreto, relator do caso na Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e confirmada pelo colegiado.
Segundo a denúncia do MPRJ, no dia 14 de janeiro deste ano, Agostina se referiu a um empregado de um bar em Ipanema como “negro” de forma pejorativa e, ao deixar o local, usou a palavra “mono”, que em espanhol significa “macaco”, além de imitar gestos do animal. Os gestos foram flagrados em vídeo.
Ainda de acordo com a promotoria, ela voltou a fazer ofensas, usando expressões como “negros de m*rda” e “monos” para outros dois funcionários, caracterizando três crimes.
A acusada chegou a ser presa e foi submetida a medidas cautelares como retenção de passaporte, proibição de sair do país e uso de tornozeleira eletrônica.
Na decisão, o relator entendeu que, com o encerramento da fase de instrução do processo, deixou de existir a necessidade de manter as restrições impostas à ré.
Agostina deverá manter endereço e contatos atualizados e se comprometer a atender às convocações da Justiça brasileira, mesmo estando fora do país.
O relator considerou ainda que a acusada é primária, tem profissão definida e demonstrou colaboração com o processo, inclusive com manifestação pública de arrependimento.
Para o magistrado, impedir a saída do país, mesmo após o fim da instrução, configuraria constrangimento ilegal. Ele também ressaltou que acordos internacionais entre Brasil e Argentina permitem, em caso de condenação, o cumprimento da pena no país de origem da acusada.
Durante uma audiência em março, Agostina pediu desculpas para os três funcionários do bar pelos gestos racistas.
O Ministério Público defendeu uma “reparação financeira pelo dano moral” às vítimas no valor de 120 salários mínimos, ou R$ 190.452.
Agostina Paez, de 29 anos, imitou macaco e fez o som do animal após discussão em um bar
Reprodução/TV Globo
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