Homem é preso suspeito de induzir suicídio de Sabine Bochici, herdeira de marchand, na Zona Sul do Rio

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
Homem é preso no Jardim Botânico Um homem foi preso preventivamente nesta segunda-feira (3) suspeito de ter estimulado o suicídio de Sabine Coll Boghici, herdeira de uma das famílias mais tradicionais do mercado de arte brasileiro e que morreu após cair de um prédio na Zona Sul do Rio, em setembro de 2023. Rafael Maia Cardoso foi localizado no Jardim Botânico por policiais da 9ª DP (Catete). Segundo a Polícia Civil, ele é investigado pelo crime de indução ao suicídio. A prisão foi determinada pela 1ª Vara Criminal da Capital. De acordo com a polícia, as investigações reuniram depoimentos, registros audiovisuais e laudos periciais que apontariam que Sabine era submetida, de forma contínua, a maus-tratos, agressões físicas, intenso sofrimento psicológico e restrição de liberdade antes de morrer. A morte, inicialmente registrada como suicídio, voltou a ser investigada depois que a mãe de Sabine, Geneviève Boghici, pediu o desarquivamento do caso. A família passou a questionar se a herdeira havia sido estimulada por alguém a tirar a própria vida. Testemunhas disseram ter ouvido pedidos de socorro e relatos de agressões nos dias que antecederam a morte. Também foram analisadas imagens de câmeras de segurança e informações obtidas durante a perícia. Sabine chegou a ser presa por aplicar um golpe milionário contra a mãe. No dia da morte, Sabine teria deixado um carta para a esposa, Rosa Stanesco Nicolau. O homem preso era genro de Rosa e morava com as duas e mais uma mulher em um apartamento na Lagoa. Sabine era herdeira de um dos maiores colecionadores de arte do país, o romeno Jean Boghici, e era casada com Rosa, acusada junto com a atriz dos crimes contra a viúva do marchand, Geneviève Boghici, de 83 anos. Morre filha que deu golpe milionário na mãe Sabine enfrentava sérios problemas psicológicos desde a adolescência, como depressão, ansiedade e crises de pânico. Nas redes sociais, a atriz postava fotos com animais e compartilhava pedidos de adoção e de doação. Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Telegram Relembre o golpe Sabine foi presa em agosto de 2022 e ganhou liberdade provisória em março de 2023. Foi do acervo de Jean Boghici que, segundo a polícia, Sabine roubou 16 quadros — incluindo obras de Tarsila do Amaral e de Di Cavalcanti. Pelo menos dois deles foram parar na Argentina. Enganada pela filha e depois ameaçada, a mãe de Sabine sofreu um prejuízo, estimado por ela própria, de R$ 725 milhões, entre pagamentos sob extorsão e quadros roubados. A Polícia Civil do RJ afirma que Sabine elaborou todo o plano, no início de 2020. O primeiro passo foi contratar uma mulher para abordar a mãe no meio da rua e alertá-la sobre uma morte iminente na família — no caso, a da própria filha. Essa mulher, que se disse vidente, levou a idosa a outras duas comparsas, apresentadas como uma cartomante e uma mãe de santo, que confirmaram a previsão e sugeriram que ela pagasse por “um trabalho” para salvar a filha. Assustada, a mãe contou tudo para a filha. Sabine, então, prosseguiu com o plano e fingiu ficar apavorada, suplicando para a mãe fazer o trabalho espiritual. A mãe obedeceu e fez, em um intervalo de 15 dias, pagamentos que totalizaram R$ 5 milhões. Depois do início do “tratamento espiritual”, Sabine começou a isolar a mãe dentro de casa, dispensando funcionários e prestadores de serviços domésticos. No início de fevereiro, contudo, a mãe de Sabine começou a perceber que a filha tinha relação com as ditas videntes e parou de fazer os repasses. Sabine começou a agredir e ameaçar a própria mãe, que só então percebeu o plano. Segundo a vítima, o prejuízo de R$ 725 milhões foi causado por: Roubo de 16 quadros: R$ 709 milhões; Roubo de joias: R$ 6 milhões; Pagamento pelos “trabalhos espirituais”: R$ 5 milhões; Transferências sob ameaça: R$ 4 milhões. Sabine Boghici Reprodução ✅Siga o novo canal do g1 Rio no WhatsApp e receba as notícias do Grande Rio direto no seu celular. ⚠️O grupo antigo será desativado. Mesmo que você já faça parte da nossa comunidade, é preciso se inscrever novamente. O pai O marchand Jean Boghici morreu em 1º de junho de 2015, aos 87 anos. Nascido na Romênia em 1928, ele chegou ao Brasil em 1948, clandestino em um navio francês, após anos em fuga ao lado de amigos judeus. Jean foi um dos pioneiros no mercado das artes, dono de um acervo considerado um dos mais importantes do Brasil no século 20. Em 2012, parte do acervo de Boghici foi destruída em um incêndio no apartamento dele e da mulher. Entre as obras, estava justamente a que batizou uma operação feita pela polícia no caso: "Sol Poente", de Tarsila do Amaral. LEIA TAMBÉM QUEM É: A mulher que se diz vidente e deu golpe de R$ 725 milhões em idosa MARCAS DA MISÉRIA: As 'pedras da fome' reveladas pela seca em rios da Europa O colecionador de arte Jean Boghici participa pela segunda vez da ArtRio Mylène Neno/G1 Também fazem parte do acervo trabalhos de Di Cavalcanti, Brecheret, Guignard, Vicente do Rego Monteiro, Rubens Gerchman, Antonio Dias, Calder, Lucio Fontana, Morandi, Kandinsky, Max Bill e outros 70 artistas. Seis meses depois do incêndio de 2012, cerca de 140 peças da coleção foram destaque dentre as primeiras exposições do Museu de Arte do Rio (MAR). Operação Sol Poente: Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti estão entre quadros roubados

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/08/04/homem-e-preso-na-zona-sul-do-rio.ghtml


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