Falsa advogada presa por fraude com obras de arte e imóveis de luxo trabalhava no Palácio Guanabara

  • 03/06/2026
(Foto: Reprodução)
Delegado detalha Operação Tela Falsa A falsa advogada presa nesta quarta-feira (3) durante uma operação que investiga fraudes envolvendo obras de arte e imóveis de luxo ocupava um cargo na Secretaria da Casa Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Segundo o governo estadual, Michele Coelho Montenegro havia sido nomeada para a função há quase 1 ano e atuava no desenvolvimento do projeto Palácio Verde, iniciativa de educação ambiental e economia circular realizada nos palácios Guanabara e Laranjeiras. Ainda de acordo com o governo, ela tinha direito a carro oficial e recebia salário líquido de cerca de R$ 12 mil. Após a prisão, Michele foi dispensada do cargo. A exoneração de Mia Montenegro, como também é conhecida, foi publicada em edição extra do Diário Oficial nesta quarta. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Mulher é presa em operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra golpe milionário envolvendo imóveis e obras de arte Reprodução/ TV Globo Mia foi presa em casa, em Ipanema, na Zona Sul, na Operação Tela Falsa, deflagrada pela Delegacia de Defraudações (DDEF). O prejuízo da vítima — o dono de um antiquário — é de pelo menos R$ 2 milhões, mas pode chegar a R$ 10 milhões. “A investigação envolve fraudes com cifras milionárias”, afirmou o delegado Marcos Buss. Outros 9 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Um quadro foi recuperado na casa de um advogado, que também foi preso. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) informou não ter localizado registros ativos em nome de Michele. Ela também foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop. Mia Montenegro Reprodução/TV Globo Como foi o golpe Segundo Buss, Michele se apresentou ao antiquário “como uma pessoa muito rica e como advogada — sem ser”. De acordo com a denúncia, Michele se apropriou de obras de arte de elevado valor comercial recebidas para intermediação de venda, entre elas peças atribuídas aos artistas Sérgio Camargo (dois relevos em madeira pintada, sem título) e Ivan Serpa (um quadro da Série Amazônia e outro da Série Mangueira). “Ela conseguiu ludibriar todo um cenário. Esse dono de antiquário acabou entregando a ela quatro obras de arte que, juntas, estão avaliadas em mais de R$ 10 milhões”, detalhou o delegado. As obras passaram a ser negociadas como se fossem de propriedade da acusada, sem devolução ao legítimo proprietário. A investigação aponta ainda que a denunciada utilizava cheques sem fundos e comprovantes bancários falsos para simular pagamentos relacionados às negociações, induzindo a vítima a erro e ampliando os prejuízos. Três obras de arte ainda estão desaparecidas, mas o quadro da Série Mangueira de Serpa foi recuperado na casa do advogado Felipe Barbosa Bittencourt, preso em flagrante por receptação. Quadro foi recuperado na casa de um advogado Divulgação/PCERJ De acordo com o MPRJ, também houve fraude envolvendo a negociação de um imóvel em Copacabana. O antiquário assinou promessa de compra e venda de um imóvel e desembolsou R$ 120 mil para Mia intermediar o negócio, oferecido por ela. A transação nunca foi adiante. Os investigados podem responder por estelionato e apropriação indébita. Mia Montenegro, de 47 anos, é considerada pelos investigadores como uma especialista em aplicar golpes. A ficha criminal dela é extensa. Somente no Tribunal de Justiça do Rio, há 14 processos em que ela responde ou respondeu por estelionato. A falsa advogada já foi condenada a 2 anos de prisão e cumpriu a pena no regime semi-aberto. O que dizem os citados A defesa de Michele Coelho Montenegro não quis se pronunciar. Já a defesa de Felipe Barbosa Bittencourt disse que vai esclarecer a verdade no decorrer do processo. O governo do estado declarou que Michele foi nomeada pela gestão passada e que o carro usado por ela foi devolvido na tarde desta quarta. A OAB-RJ afirmou que, se for confirmada a participação de algum advogado nas fraudes, vai abrir um processo ético-disciplinar.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/06/03/falsa-advogada-presa-por-fraude-com-obras-de-arte-e-imoveis-de-luxo-trabalhava-no-palacio-guanabara.ghtml


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