Entregador entra em coma após ser contaminado por ácido durante hemodiálise em São Gonçalo, diz família
28/08/2025
(Foto: Reprodução) Entregador entra em coma após ser contaminado por ácido durante hemodiálise em São Gonçalo, diz família
O entregador Bruno Rodrigues Ventura dos Santos, de 29 anos, está internado em estado gravíssimo, em coma, após complicações durante uma hemodiálise em uma clínica particular conveniada ao SUS, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
Os pais de Bruno relataram à polícia que o diretor técnico da Nice Diálise admitiu a falha e informou que resíduos de ácido peracético – uma fórmula química comumente usada na limpeza de equipamentos e materiais médicos – estavam presentes na máquina utilizada na hemodiálise.
O caso aconteceu na manhã do dia 20 de agosto e é investigado pela Polícia Civil como lesão corporal por imperícia.
Na noite desta quinta-feira (28), ele permanecia em estado gravíssimo, segundo a prefeitura de São Gomçalo.
Bruno está em coma após ser contaminado com ácido durante hemodiálise em São Gonçalo
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O g1 entrou em contato com a Nice Diálise e com o diretor técnico do estabelecimento e aguarda resposta.
Conforme o boletim de ocorrência da 72ª DP (São Gonçalo), o ácido — utilizado para desinfecção das máquinas de diálise — foi introduzido acidentalmente no organismo de Bruno. O erro teria ocorrido durante a troca da profissional responsável por atendê-lo.
“Ele sempre fazia a sessão com a mesma técnica, mas nesse dia colocaram outra. A gente não sabe se foi por imperícia, imprudência, só sei que não teve cuidado”, contou Márcio Luiz dos Santos, pai do paciente.
"Nem os médicos sabem direito o que fazer porque é um caso raríssimo", afirma ele.
Bruno foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado inconsciente para o Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto, no bairro Zé Garoto, onde permanece entubado e em coma induzido na UTI.
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O laudo médico da unidade de saúde confirma a contaminação e aponta hemorragia cerebral, edema e insuficiência respiratória aguda como consequências do episódio.
"A gente deixou ele bem e ele saiu do jeito que saiu."
A família, que mora em Maricá, se desloca três vezes por semana até São Gonçalo para que Bruno realize o tratamento.
O pai relata que, no dia do acidente, chegou a acompanhar a rotina na recepção da clínica, mas só soube que algo havia acontecido quando viu o filho ser retirado em uma maca.
“Nós estávamos lá dentro, ninguém falou nada. Quando vimos, ele já estava inchado, sangrando e entubado. Se não fosse o socorro rápido, ele teria morrido na hora”, disse Márcio.
Certificado vencido
A clínica onde ocorreu o incidente, identificada como Nice Diálise, funciona no bairro São Miguel. Segundo o boletim de ocorrência, o estabelecimento está com o certificado de regularidade vencido desde 28 de junho de 2025.
A Prefeitura de São Gonçalo informou que Bruno chegou à unidade, na manhã da quinta (20), vindo de uma clínica particular e que seu estado de saúde é gravíssimo.
Sobre uma fiscalização na Nice Diálise, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do município disse que a fiscalização da clínica é atribuição da Vigilância Sanitária Estadual.
Por sua vez, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que, a Superintendência de Vigilância Sanitária iniciou o processo de investigação sobre o caso. Na manhã desta quarta (27), as equipes do órgão estiveram no local para uma inspeção e constataram que as licenças sanitárias para o funcionamento da unidade estão em dia.
Ainda segundo a pasta, a análise do caso está sendo realizada de forma minuciosa para que os fatos sejam esclarecidos e as medidas cabíveis sejam adotadas rapidamente.
A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo (Semsadc) disse que a clínica é credenciada para atendimentos de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e havia convênio com a cidade de São Gonçalo, até o fim de abril deste ano, por estar localizada no município.
O Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) informou que o diretor técnico da clínica Nice Diálise possui registro médico ativo na instituição.
O Conselho acrescentou que abriu sindicância para apurar os fatos.
O Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren) ainda não comentaram o caso.
Caso de Bruno mobiliza parentes, que buscam esclarecimentos sobre o atendimento médico
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