Em poucos minutos, criminosos fazem série de assaltos em semáforos da Zona Norte do Rio; veja como agem
13/07/2026
(Foto: Reprodução) Em poucos minutos, criminosos fazem série de assaltos em semáforos da Zona Norte do Rio; veja como agem
O sinal fecha, os carros param e a tensão começa. Em alguns cruzamentos da Zona Norte do Rio, esperar o semáforo abrir deixou de ser apenas uma etapa do trânsito para se tornar um momento de medo. Quanto maior o tempo parado, maior a sensação de vulnerabilidade.
Uma reportagem do RJ2 acompanhou a rotina em dois pontos conhecidos pelos moradores: o cruzamento das ruas Pará e Teixeira Soares, na Praça da Bandeira, e o entorno da estação de metrô de São Cristóvão. As imagens mostram que criminosos se aproveitam do trânsito parado para abordar motoristas em questão de segundos, levando celulares, joias e outros pertences.
Os ataques se repetem em diferentes dias, sempre com o mesmo modo de agir.
Em um sábado à noite, um homem de casaco e capuz aborda um carro cinza e obriga motorista e passageiros a entregar os pertences. Em seguida, tenta atacar um veículo ao lado, que consegue escapar, e ainda ameaça um táxi antes de fugir por um posto de combustíveis.
Dias depois, no mesmo cruzamento, uma dupla tenta assaltar outro motorista. O carro acelera e consegue fugir. Minutos mais tarde, os criminosos voltam e conseguem roubar os ocupantes de um veículo prata. Antes de deixar o local, um dos assaltantes ainda retorna, mas desiste da nova abordagem e corre em direção ao viaduto do metrô.
Na noite mais recente registrada pela reportagem, a cena voltou a se repetir. Em apenas três minutos, dois roubos foram flagrados. Três criminosos cercaram um carro branco, renderam motorista e passageiro e levaram os pertences. Logo depois, atacaram outro veículo. Em uma câmera instalada nas proximidades, é possível ver quatro motoristas avançando o sinal vermelho para escapar dos assaltantes.
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Medo aumenta quando a Guarda Municipal deixa o local
Ladrão aborda motorista na Zona Norte do Rio
Reprodução/RJ2
A reportagem acompanhou o movimento no cruzamento da Rua Pará com a Rua Teixeira Soares durante o horário de funcionamento da faixa reversível. Enquanto agentes da Guarda Municipal permaneciam no local, o trânsito seguia normalmente.
Segundo moradores e comerciantes, o cenário muda assim que a operação termina e os guardas deixam o cruzamento.
"Depois é só a gente e Deus", resume o vendedor Gustavo Rezende. Segundo ele, os criminosos abordam motoristas, assaltam passageiros de aplicativos e fogem atravessando a Radial Oeste em direção à Mangueira.
Quem passa diariamente pelo trecho também relata preocupação. "Esse sinal fica muito tempo fechado. À noite, realmente é preocupante. Mesmo com a Guarda Municipal, eles não estão em todos os lugares. Tem que manter o vidro fechado, guardar o celular e ficar atento", afirma o comerciante Guilherme Brainer.
Motorista de aplicativo, Valnei Farias diz que orienta todos os passageiros a esconderem o celular antes da parada no semáforo: "Eu sempre ando com o vidro levantado e o ar-condicionado ligado."
Uma câmera de monitoramento da Prefeitura está instalada sobre o cruzamento. Durante o período em que a equipe permaneceu no local, o sinal ficou fechado por cerca de cinco minutos para os motoristas. Segundo técnicos da CET-Rio, esse tempo pode variar de acordo com as condições do trânsito.
Em São Cristóvão, relatos se repetem. A cerca de 500 metros dali, em frente à estação de metrô de São Cristóvão, motoristas, passageiros e trabalhadores afirmam conviver com o mesmo problema.
"Chega aqui, os caras enquadram e dizem: 'Perdeu'. Aí é só rezar", conta o motociclista de aplicativo Jeremias Valente.
No mês passado, uma tentativa de assalto registrada por um motorista viralizou nas redes sociais. Quatro homens cercaram um táxi parado no sinal, bateram nos vidros e tentaram render motorista e passageiros. Assim que o semáforo abriu, o taxista acelerou e conseguiu escapar.
Taxista há anos, Marcelo Bavier diz que dirigir pela região exige atenção constante. "Antes de chegar ao sinal, você tem que olhar para todos os lados, no retrovisor, na frente e nas laterais. Porque, provavelmente, você vai ser surpreendido."
O porteiro Genilson Silva, que faz baldeação diariamente em frente ao metrô, afirma que os assaltos seguem um padrão. "Quando o sinal fecha, eles vêm e dão o bote. Aqui não tem segurança nenhuma."
A inspetora Jaqueline Santos reforça a percepção: "Raramente vejo patrulhamento aqui."
Roubos caíram, mas moradores ainda reclamam da segurança
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que a região que abrange São Cristóvão e Praça da Bandeira registrou 891 roubos de rua entre janeiro e maio de 2026, uma redução de 27% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 1.222 casos.
Durante a gravação da reportagem, a equipe viu uma viatura da Guarda Municipal e dois policiais militares em motocicletas circulando pela região.
Mesmo assim, usuários do transporte público afirmam que a sensação de insegurança permanece, principalmente nos pontos finais de ônibus próximos ao metrô.
Para o motorista de ônibus Fabiano de Jesus, a presença permanente de agentes poderia reduzir os crimes.
"Os passageiros reclamam muito. Se colocassem equipes da Guarda Municipal fixas aqui, melhoraria muito."
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