Crise no home care em Teresópolis: pacientes em estado grave ficam sem assistência e denunciam falhas
20/10/2026
(Foto: Reprodução) Famílias voltam a denunciar problemas no serviço de home care em Teresópolis.
Famílias de pacientes com doenças crônicas e necessidades especiais denunciam falhas no serviço de home care, em que o município oferece assistência de saúde em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio.
Entre os casos acompanhados pela reportagem estão os de Nicolas Damasceno Oliveira, de 16 anos, que teve o atendimento domiciliar interrompido; Jorge Luiz Queiroz, de 41 anos, que tem esclerose lateral amiotrófica (ELA) e passou mal em casa; e Saymon Xavier, de 48 anos, que relata dificuldades para realizar exames e receber oxigênio regularmente.
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Nicolas teve atendimento domiciliar interrompido
Nicolas Damasceno Oliveira, de 16 anos, precisa de cuidados contínuos desde o nascimento. Prematuro extremo, ele sofreu três paradas cardíacas ao nascer e permaneceu internado até quase os dois anos de idade. O atendimento domiciliar era realizado pela empresa Hospitality, que acompanhava o adolescente havia mais de dez anos.
A empresa interrompeu parte da assistência e alegou falta de pagamento por parte do município. Segundo o advogado da prestadora, Marcelo Tavares, a empresa está há mais de um ano sem receber pelos serviços e não tem mais recursos para custear medicamentos, insumos e profissionais necessários ao tratamento.
A Prefeitura de Teresópolis apresentou outra versão e informou que a interrupção estaria relacionada a questões judiciais e à prestação de contas da empresa. O município também anunciou a mobilização de uma equipe de Atenção Domiciliar para acompanhar o adolescente.
O pai de Nicolas, Leandro Oliveira, porém, afirmou à reportagem que os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde têm feito apenas visitas de checagem. Segundo ele, a equipe anunciada pela Prefeitura ainda não assumiu efetivamente os cuidados necessários.
O advogado da Hospitality afirma que a empresa continua prestando atendimento ao adolescente, apesar das dificuldades financeiras, e que já recorreu à Justiça em busca de uma solução urgente para garantir a continuidade do tratamento.
Nicolas Oliveira, de 16 anos, precisa de cuidados contínuos desde que nasceu.
Juliana Guzzo
Jorge Luiz passou mal e precisou ser hospitalizado
Jorge Luiz Queiroz, de 41 anos, tem esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete os movimentos e pode afetar funções essenciais, como a respiração e a deglutição.
Desde janeiro, ele enfrenta o avanço da doença e depende de cuidados contínuos. A prima, Cristina Pontes, deixou o trabalho como auxiliar de cozinha para cuidar dele em tempo integral. Atualmente, segundo o relato da família, ela mantém a casa com a pensão que recebe pela viuvez e com doações.
A Justiça já determinou a instalação imediata do serviço de home care para Jorge. De acordo com a família, porém, o atendimento domiciliar ainda não foi disponibilizado como determinado.
Na sexta-feira, 16 de outubro, o quadro ficou mais delicado. Jorge passou mal em casa depois de um engasgo e precisou ser levado para o Serviço de Pronto Atendimento de São Pedro, em Teresópolis. Segundo a Prefeitura, ele está recebendo acompanhamento médico e multiprofissional na unidade.
A Secretaria Municipal de Saúde informou ainda que o serviço social mantém contato com a família para alinhar as demandas e os encaminhamentos necessários.
Jorge Luiz Queiroz, de 41 anos, tem esclerose lateral amniotrófica (ELA) e depende de cuidados contínuos desde janeiro deste ano.
Arquivo Pessoal
Saymon relata dificuldades para realizar exames e receber oxigênio
Saymon Xavier, de 48 anos, também enfrenta dificuldades para conseguir o atendimento necessário. Pensionista do INSS, ele tem uma doença pulmonar e precisa de acompanhamento médico, exames e fornecimento regular de oxigênio.
Segundo o paciente, ele não tem conseguido realizar os exames necessários para acompanhar seu estado de saúde. Sem a assistência domiciliar adequada, acaba recorrendo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) quando os sintomas se agravam.
Saymon relata que também encontra dificuldades para conseguir uma internação e dar continuidade ao tratamento quando procura a unidade de saúde.
Saymon Xavier tem uma doença pulmonar e precisa de fornecimento de oxigênio
O que diz a prestadora de serviço
Em nota divulgada pelo advogado Marcelo Tavares, a Hospitality afirma que presta atendimento domiciliar a Nicolas Damasceno Oliveira há mais de dez anos e que, apesar de atrasos anteriores, nunca havia interrompido a assistência. Segundo a empresa, os pagamentos pelos serviços estão atrasados há mais de um ano.
A defesa afirma que o atendimento é realizado por determinação judicial, no processo nº 0014550-16.2017.8.19.0061, no qual o Município de Teresópolis figura como réu. A empresa diz estar em recuperação judicial e alega que não tem mais condições financeiras de custear medicamentos, insumos e salários dos profissionais. Segundo o advogado, a equipe responsável pelo atendimento também não recebeu os pagamentos referentes a setembro e outubro.
A Hospitality afirma que continua prestando assistência ao adolescente e que a equipe municipal realizou uma visita, mas ainda não assumiu os cuidados. O advogado informa que apresentou à Justiça, em 25 de setembro, um pedido urgente para que seja encontrada uma solução para o caso, incluindo a possibilidade de transferência do paciente para uma unidade hospitalar adequada.
De acordo com a defesa, o juiz já proferiu um despacho, mas ainda não houve decisão sobre o pedido de exoneração da empresa e a transferência hospitalar. A prestadora afirma que não pretende deixar o adolescente sem assistência, mas cobra uma solução dos órgãos públicos para garantir a continuidade do tratamento.
O que diz a Prefeitura em cada caso
Caso Nicolas
A Prefeitura informou que mobilizaria uma equipe de Atenção Domiciliar para acompanhar o adolescente. Segundo o município, a interrupção do serviço prestado pela empresa particular estaria relacionada a questões judiciais e à prestação de contas. O pai de Nicolas, porém, afirma que a equipe municipal ainda não assumiu os cuidados e que os profissionais fazem apenas visitas de checagem.
Caso Jorge Luiz
A Secretaria Municipal de Saúde informou que o paciente está recebendo acompanhamento médico e multiprofissional no Serviço de Pronto Atendimento de São Pedro, onde está internado desde 17 de outubro de 2026. Segundo a Prefeitura, o serviço social também mantém contato com a família para alinhar as demandas e os encaminhamentos necessários.
Caso Saymon
A Secretaria Municipal de Saúde informou que os demais pedidos de home care serão tratados diretamente com os pacientes. Até as informações reunidas pela reportagem, não havia um posicionamento específico do município sobre as dificuldades relatadas por Saymon para realizar exames e receber oxigênio regularmente.
Caso Hospitality
A Prefeitura informou que não possui contrato direto com a empresa responsável pelo atendimento de Nicolas e que a interrupção do serviço estaria relacionada a questões judiciais e à prestação de contas. A empresa contesta essa versão e afirma que o atendimento decorre de uma decisão judicial, em processo no qual o município figura como réu, e que está há mais de um ano sem receber pelos serviços prestados.
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